Estive a rever o " Alta definição" com Artur Agostinho e dei por mim a reflectir cerca desta coisa estúpida e revoltante que é a morte ( eu já em relação a coisas simples sou incapaz de extrair conclusões e obter respostas, fará perante esta temática).
Dizia que dei por mim a pensar que a morte por vezes pode ser enfrentada com um sorriso. Não um sorriso de euforia ou de felicidade , longe disso, mas com um sorriso tranquilo, qualquer coisa como "já está, missão cumprida".
Sim, é triste, é muito triste. É triste ver partir alguém que deu tanto de si e que viveu com tamanha elegância. É triste e coloca-nos a todos em confronto directo com o inevitável, com o nosso amanhã ... Ainda assim olho para a morte de Artur Agostinho e não consigo deixar de ver beleza e grandiosidade : viveu de modo sublime, deixa sabedoria nas palavras que proferiu e escreveu, marcou uma geração e um país simplesmente vivendo... isto durante 90 anos. 90 ANOS! No fundo, não será este o sentido de tudo isto? Viver de uma forma bonita e morrer deixando qualquer coisa nossa no mundo? Morrer deixando um país invadido pelo sentimento de perda, quando a única coisa que partiu fomos nós ? No fundo o que aconteceu não foi uma tragédia, não foi um acidente ou uma fatalidade. Foi apenas o desfecho natural da vida...
Cumpriu a sua missão e partiu porque é assim que deve ser, que tem de ser.
Não digo com isto que a morte tenha algo de glorioso ou de festivo, porque não tem! Mas tem a vida, e essa ele viveu-a como deve ser.... Sempre disse que desta forma valia a pena chegar aos 90 anos. Hoje digo que desta forma não importa partir , seja quando for...
" Morreu um gajo porreiro", era isto que Artur Agostinho gostava que se dissesse hoje...
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Observações fofinhas de pessoas inteligentes.