Já dizia o amigo Paco Bandeira num momento de inspiração “ a mulher é como um livro muito antes de folhear, tem beleza, tem doçura, e que mistério tem no olhar”. Quer-me parecer que a metaforização da figura feminina está mais para um dia de saldos na secção de agendas FNAC do que para outra coisa qualquer: uma confusão desmedida, uma bagunça generalizada, ou um pequeno tornado, se quisermos chegar às raízes mais profundas da exactidão!
Juro a pés juntos que nada me faria mais feliz do que poder classificar-nos como uma espécie de colecção de enciclopédias, raríssimas e valiosas, que todos procuram mas às quais apenas alguns têm acesso (os mais ricos e cultos), que valem por si só e que prevalecem intactas perante a passagem do tempo. Mas não, estamos mais perto de um livrinho lamechas de Nicholas Sparks do que as lágrimas dos lenços de papel. Santíssimo sacramento!
Eu não nego que sejamos a coisa mais linda que Deus Nosso Senhor ao mundo deitou, eu não digo que não sejamos a obra mais perfeita, o poema mais sensível, o ser mais genial que o pintor, o poeta e a natureza geraram, que somos, mas há dias em toda a nossa genialidade é substituída por uma burrice atroz e aí meus caros, salve-se quem puder!
Há uns anos atrás, não muitos, até porque eu ainda sou uma menina, ouvi um familiar dizer que “ mulheres boas, só a nossa mãe” e senti-me muitíssimo insultada. Hoje, olho para trás e constato que estava perante um visionário e não percebi, e foram raros os momentos, em vinte anos de existências, que tão sábias palavras foram proferidas perante a minha pessoa. Custa-me, juro que custa, dizer estas coisas, que são no fundo pequenas facadas no ego do “mulherio”, mas as circunstancias a tal o obrigam.
São muitas as entidades que, a meu ver, têm culpas no cartório, mas se tivesse de eleger a culpada das culpadas não hesitaria em atribuir a medalha de ouro à Walt Disney, foi ela a progenitora dos primeiros genes do problema (Maldito Walt Disney, espero que estejas a assar nas chamas do inferno com um tridente espetado no traseiro
).
O que passou pela cabeça dos nossos papás e mamãs para nos sentarem em frente ao ecrã com o objectivo de nos fazer crer que somos todas umas verdadeiras princesas? (creio que a paga para tamanho acto de crueldade seja a falta de vista que acabamos por denunciar e que se traduz num arrombo no orçamento familiar quando a conta do oculista “bate” ao fim do mê).
Não minhas amigas, é tudo uma grande farsa, não somos nenhumas “ lady Di” (mas deveríamos ser, atenção).
Por que raios nos venderam a história do amor eterno, do príncipe encantado, do cavalo branco e do pezinho que levanta na hora do primeiro grande beijo? (ah, e tudo ao som de violinos e flautas, coisa linda). Em tantos anos devo dizer que nunca avistei tal coisa, e olhem que eu ando de olhos bem abertos!
No entanto, e se prestarmos atenção, até mesmo a culpada das culpadas nos deixou pequenos sinais de alerta relativamente ao futuro. Se olharmos com olhos de ver, apercebemo-nos de que, na maioria dos filmes de animação, o príncipe encantado tem todo um estilo gay. Ele é mãozinha delicada, ele é collants debaixo dos calções, enfim, ele é tudo menos másculo. Homem que é homem não monta a cavalo com manguinhas de balão, digam o que disserem. Príncipe que é príncipe não beija a branca de neve ao acordá-la como se estivesse a dar um beijinho na avó, não me lixem!
Está a fazer-se luz não é verdade? Pois é minhas ricas amigas, a explosão gay há muito que se anunciava, nós é que optamos por ignorar os sinais e agora estamos todas estupefactas!
Preferimos crescer a achar que merecemos a felicidade mais do que qualquer outro ser, que um romance de cordel nos está destinado e é mais ou menos por essa altura que vivemos a primeira grande paixão da nossa vida e que, consequentemente, a magia se desfaz, como um marshmallow no céu-da-boca!
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