O VIRAR DO JOGO…
Pois é cúmplices de luta, se inicialmente somos nós quem dita as regras, depressa nos tornamos o elo mais fraco! Seja lá qual for o jogo nós vamos sempre ao tapete, porém, certas de que demos tudo o que tínhamos e de que jogámos com todo o coração (grande consolo).
Nos anos que seguem a descoberta de conceitos como poder e prepotência, descortinamos outros como a paixão e o amor, e pronto, acaba-se tudo! É mais ou menos a mesma coisa do que ir a 200 quilometremos por hora na auto-estrada e de repente aparecer-nos um muro à frente, não há hipótese!
Não sei o que nos acontece, mas há uma qualquer pré formatação cerebral que nos estupidifica e nos coloca os neurónios em coma induzido. Nessa altura sofre-se muito, chora-se ainda mais, lamenta-se o infortúnio (que é só nosso e nunca foi experienciado por qualquer outra mulher, pelo menos tão abruptamente) e assume-se perante o mundo que a vida acabou assim como que o sol nunca mais brilhará novamente! O mais triste e revoltante no meio desta tragédia grega (deve ser o único ponto em que gregas e troianas estão plenamente de acordo), é que “a coisa” não é de hoje. A história mostra-nos que a mulher nutre este bem-querer pela desgraça desde há muito.
Tome-mos como exemplo a história de Pedro e Inês.
“ Ah, que história de amor tão linda”, diz o Zé-povinho. “ Oh, quem me dera viver um amor assim”, sonha o mulherio.
De facto não me ocorre nada mais bonito do que a imagem de Inês de Castro com a goela cortada e a esvair-se em sangue. Se em criança eu soubesse o que sei hoje, na hora das vacinas em nos é pedido para pensar numa imagem bonita, porque assim dói menos, eu teria pensado na Inês esgargalada, pela certa nem daria pela agulha.
Não há nada mais romântico do que a desafortunada ter perdido a vida e comemorado o trigésimo aniversario sete palmos do chão. É caso para dizer, viva o amor!
Se Inês tivesse usado a massa encefálica, ao em vez de contabilizado os batimentos cardíacos, teria entendido atempadamente na mixórdia em que se estava a envolver. Mas não, o amor é lindo!
Se a menina de Castro tivesse amor à vida (e não apenas ao sexo oposto), teria ficado sossegada, sido uma aia às direitas e pensado que Pedros há muitos por este mundo fora. Mas não, o amor é lindo!
Por muito que tente e dê voltas à cabeça, não encontro explicação para o comportamento de Dom Pedro. A meu ver, cobardia seria o termo mais correcto e apropriado, mas não me sinto no direito de esbater os contornos heróicos e românticos da história.
Mas pensem comigo, que homem que se preze esperaria 2 anos para vingar a morte da mulher amada?
Lá está, se Inês tivesse vivido para ver, teria certamente ficado muito desgostosa perante a atitude do senhor seu amante… Quem lhe diria a ela que Pedro, dono de uma paixão sem precedentes, não pegaria na caçadeira e fazia justiça pelas próprias mãos? Ninguém!
Mas nós, mulheres, achamos sempre que eles são muito especiais, únicos e irrepreensíveis. Acreditamos piamente que sem nós eles não respiram, que perante o peso da nossa ausência eles se sentem perdidos e incapazes de continuar, que a vida deles começa no dia em que nos conheceram, e que antes disso eram meras almas perdidas e deambulantes. O realismo é o nosso forte!
No final da história (sim, porque o fim é certo como a morte), eles saem sempre triunfantes! O Pedrito teve um grande desgosto, não digo o contrário, mas bem ou mal lá seguiu a vidinha dele, e a desgraçada lá ficou, decomposta e moribunda porém, com a vaidade de ter vivido um grande romance, que sorte!
Desconfio que por esta altura ainda há muita madame que torce o nariz perante as evidencias, teimosas que nem mulas, já dizia o meu avô!
Tentemos então dissipar quaisquer sombras de dúvida e pensemos no caso de Romeu e Julieta.
Há um conjunto de acontecimentos ao longo deste romance que me fazem defender convictamente que a mulher quando está enamorada cega por completo, eu diria até que desbota! Será fruto da produção excessiva de uma qualquer hormona maléfica? Será uma manifestação natural em todos os animais do sexo feminino? Não sei, mas há umas quantas questões que adoraria colocar à Julieta.
- Ora minha querida amiga, a senhora conhece o Romeu numa noite e quer marcar casório para o dia seguinte? Terá você pensado que o homem romântico do primeiro encontro sobreviveria após o tenebroso “sim”? Não minha querida, o homem “ pré casamento” sofre de morte súbita mal desce do altar, é um fenómeno para o qual não existe explicação, nunca ouviu dizer? Verídico e lamentável.
- Ora se o senhor já fez o favor de subir ao seu quarto durante a noite e fê-la desfrutar dos mais pecaminosos pecados terrestres, que necessidade tinha a minha amiga de complicar, hum? Não podia limitar-se à experimentação da parte divertida da coisa? Mas não, amor que é amor vai até às últimas consequências.
- Juju, a menina não tem vergonha nessa cara? Então por causa de um par de calças foi você enganar os seus papás que com tanto amor e sacrifício a criaram? Ingrata. Mas vá, não se martirize que o erro não é só seu. As mulheres são assim, quando estão apaixonadas nada as demove. Desligam dos amigos e conhecidos, mentem à família se for caso disso, pois aquilo que verdadeiramente importa é não deixar fugir o homem!
Se quisermos ir ainda mais fundo e entrar no campo da comparação rapidamente nos deparamos com diferenças abismais e esclarecedoras. Perante a mesma situação, morte da pessoa amada, o Pedrito chorou umas lagrimazitas, teve dois ou três dias de soluços, gastou uns maços de lenços e olha, fez-se à vida! Já Julieta o que é que fez? Matou-se, pois então! Qual seria o sentido da vida sem o homem que conhecera há 2 dias e que antes disso não lhe fazia falta absolutamente nenhuma? Não vejo sentido algum.
Ambos estimavam muitíssimo as suas caras metades, ambos eram apaixonados dos pés à cabeça mas Pedro decidiu que viver mais uns aninhos não lhe faria mal nenhum, já Julieta considerou que não, típico da fêmea humana.
E se ainda assim há espaço para dúvidas, deixem-me que vos diga, minhas queridas amigas, que o vosso caso é agudo.
Assim, e ressalvando o meu total apresso pela espécie, admito que há efectivamente um conjunto de especificidades que são só nossas e que não dividimos com mais ninguém.
Mulher que é mulher não gosta, ama até às mais profundas entranhas. Mulher que é mulher não sofre, desfaz-se perante a imensidão do problema. Mulher que é mulher não ultrapassa, aprende a viver com o drama e, sempre que tem oportunidade, lamenta o infortúnio e a triste sina que lhe esta destinada. Mulher que é mulher é isto tudo e muito mais… e se por ventura o meu estimado leitor faz o seu chichi sentado e tem peitinhos voluptuosos, e ainda assim não se encaixa em nenhuma destas especificidades, deixe-me que lhe aconselhe a procura de um médico, provavelmente tem um problema ou sofre de um desequilíbrio qualquer.







